Mostrando postagens com marcador desamor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desamor. Mostrar todas as postagens

domingo, 27 de julho de 2014

Terreno perigoso




Imagem: Reprodução

Quando Lígia e Ricardo se falaram foi amor a primeiro clique. Isso mesmo! É cada dia mais comum em nossos tempos esse perigoso ‘pré-relacionamento’ virtual. Os dois se apresentaram frágeis, apaixonados pelas mesmas coisas, parecia tudo combinado. As mensagens enviadas tinham uma certa ambiguidade e interesse oculto. Na verdade, os dois estavam carentes, outro sentimento cada vez mais comum entre nossos contemporâneos. Daí começaram a trocar juras de amor. Terreno perigoso esse tal coração, principalmente quando está desesperado. Ao se falarem, mesmo à distância, o mundo parava, estavam longe de tudo, viviam uma ilusão. Algo dizia aos dois que não daria certo, não era apenas insegurança. Sua história não daria certo. Essa frase ecoava em suas mentes. Mas havia, como ainda há, uma conectividade impressionante entre eles. Seria uma bela história. E fica a pergunta: quantas histórias nunca se concretizaram, mesmo na proximidade? Muitas! São muitos os enlaces que moram na subjetividade e nas promessas não cumpridas. Lígia e Ricardo prometeram um dia abandonar tudo e começar uma vida nova em outro lugar, mas nunca tiveram coragem. Um pensa no outro todos os dias. Ficam admirando a foto do outro, pensando em como seria se tivessem seguido seus planos audaciosos. Quantos planos deixamos pelo caminho, não é mesmo? Muitos! Mais do que deveríamos. E a sensação de vazio os invade. Horrível! Aliás, com que constância sente um vazio? É! Você mesmo, Caro Leitor! Esse sentimento também é muito perigoso. Cuidado! Mas o vazio desse casal se dá porque se amam e tem medo do que a realidade pode os apresentar e o receio da recíproca de seu amor não ser verdadeira. Mais que isso, medo de terem idealizado alguém que não existe. Um sério risco. Afinal, cometemos esse erro com quem convivemos diariamente, imagina com uma pessoa que nunca esteve em sua presença?! E quem conhece a história deles se divide em duas opiniões. Ou pensam que tudo não passa de uma grande bobagem ou que eles têm medo do amor. Mas vai muito além disso, eles temem a mudança que a concretização desse amor pode causar em suas vidas.

domingo, 20 de julho de 2014

O momento Só Nós



Imagem: Divulgação


As relações vez por outra acabam. Muitos desejam a lealdade unilateral, o amor eterno, compreensão do outro. Nada mais ‘politicamente correto’ que uma conversa sincera e definitiva ao encerrar uma experiência amorosa frustrada. Hora de desatar os nós. A grande questão é que ao abrir espaço para esse dialogo queremos na verdade a reconciliação. Aceitar o convite para tal evento – sim, porque se torna um evento – estamos reconhecendo o desejo de voltar. É a oportunidade de reatar, de salvar, o que de melhor existe entre o casal – o amor. Abre-se um monte de parênteses, relatamos o que até o momento era segredo, passamos a conhecer detalhes que não gostaríamos e mentiras apropriadas. Negamos o amor e, muitas vezes, o chamamos de desamor. Aliás, que péssimo hábito esse que desenvolvemos de negar o que sentimos. Isso me soa tão medíocre, principalmente quando nos achamos cheios de razão. É como se estivéssemos numa guerra, na defensiva e sempre atacando. Muitas vezes nos ferimos mortalmente. Queremos ceder, mas o orgulho não permite. Passamos então a apelar para a memória, enumerando todas as provas de amor que acreditamos nunca terem sido percebidas. E aguardamos a gratidão que não será demonstrada, pois o ressentimento é grande demais para permitir isso. Julgamos. O assunto se perde. Ambos se perguntam o que estão fazendo ali. A resposta é óbvia. O laço de amor os une por uma linha invisível e perceptível. Até a vizinha que soube que haveria tal conversa sabia que os dois se reconciliariam. Eles se amam, só um tolo não vê. O orgulho não permite a reaproximação. Ai! Não há nada num relacionamento mais desafiador que o prefixo ‘re’. Reaproximar, reconciliar, reatar, recomeçar. Aprendi com um desses personagens da dramaturgia que retomar (outra palavra com o prefixo ‘re’ que não alistei anteriormente) uma relação é como tomar café requentado, quando não queima a língua tem gosto de passado. Eis a grande questão! Se não houver perdão, sim, aquele que nos faz jogar para trás tudo o que aconteceu e recomeçar do zero, a amargura será como uma cicatriz dolorosa. É desnecessário negar o amor. Se entregar é preciso. Ceder muitas vezes nos salva da dor. A decisão da reconciliação é individual. Se a cena final será feliz dependerá unicamente de nós. É! Nessa hora somos só nós. Nossas aspirações somadas ao desejo do outro de viver uma bela história de amor. Afinal, queremos ser os príncipes e princesas dos contos de fadas, mesmo que não reconheçamos isso.

A reflexão acima foi possível através da arte espetacular, singela, simples e real da peça Só Nós, da Cia Perambulantes. Há cerca de ano estive no Rio de Janeiro para assistir uma peça na Casa de Cultura Laura Alvim com atores não muito reconhecidos pela grande massa. Fiquei feliz e impressionado pela interpretação e entrega dos atores. Pensei que não mais veria algo como aquilo, atores infinitamente talentosos, com anos de estrada na carreira teatral e desconhecidos pelo grande público. Senti-me um privilegiado. Na estreia do espetáculo Só Nós esse sentimento se repetiu. Quanta responsabilidade e maturidade dos atores Diego Matos e Mariana Siniscarchio! Mesmo sendo uma história que muitos consideram previsível, representaram-na de forma simples, particular, convincente e diferente. Tenho muitos e sinceros elogios a tecer a todos envolvidos neste trabalho. Viva a arte com simplicidade e competência! Que se torne rotina.