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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sobre servir

 
Imagem: Reprodução
 
 
O ato de servir aos outros a qualquer momento em que isso seja necessário pertence ao campo do comportamento, e não só da competência. Notamos com clareza as pessoas disponíveis e generosas. Elas são mais visíveis que as demais porque irradiam uma espécie de luz que as distingue e as enaltece.

A todo instante temos a chance de servir a alguém, facilitando sua vida e engrandecendo a nossa. Servir é, ou deveria ser, a essência do ser humano. E isso, definitivamente, não tem relação com profissão, função, classe social, sexo ou idade. Tem a ver com disposição, qualidade moral, elevação espiritual. Não há nada de subserviência em servir. Servir engrandece.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Temos de Ser Mais Humanos

Imagem: Reprodução


    "Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos primários. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. Não é auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biológica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condição. É lendo Platão. E construindo pontes suspensas. É tendo insônias. É desenvolvendo paranoias, conceitos filosóficos, poemas, desequilíbrios neuroquímicos insanáveis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas políticos, receitas de bacalhau, pormenores. (...)
     A única atitude verdadeiramente civilizada é a fraqueza, a curiosidade, o desespero, a experiência, o amor desinteressado, a ansiedade artística, a sensação de vazio, a fé em Deus, o sentimento de impotência, o sentir-mo-nos pequeninos, a confissão da ignorância, o susto da solidão, a esperança nos outros, o respeito pelo tempo e a bênção que é uma pessoa sentir-se perdida e poder andar às aranhas, à procura daquela ideia, daquela casa, daquela pessoa que já sabe de antemão que nunca há-de encontrar."

     Miguel Esteves Cardoso, in 'Explicações de Português'

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Não é preciso ser feliz o dia todo, mas aprenda a ser feliz todos os dias


Imagem: Reprodução





Antes de começar a ler, respire. Três vezes e devagar para ter certeza de que você estará concentrada. Sei que, na terceira ou quarta linha, você já deve estar pensando no trabalho que tem que terminar, no trânsito que vai enfrentar, no filme que precisa alugar. Mas, de verdade, peço apenas alguns minutos. Você sabe que não é muito. Sabe que, quando quer, consegue até mais do que isso.
Queria estar segurando a sua mão neste momento. Queria que, de frente para o espelho, pudesse falar isso olhando nos seus olhos. Mas, não sei se iria aguentar te encarar – me encarar – por tanto tempo assim.
Eu sei que há alguns dias você tem se sentido meio fora de si. Posso sentir seu – nosso – corpo descolando e vagando por um buraco entre o que você quer ser e o que, de fato, tem sido. Logo você, que sempre achou tudo tão simples e prático, agora se pega em pensamentos mais complexos. Aliás, estou para te falar há um tempo: pare de usar tantos “sempres” e “nuncas”. Isso deve te ajudar.
Entenda que a vida leva tempo para acontecer. Deixe seu imediatismo de lado e – apesar de suas preocupações serem justas – reaprenda a ser feliz no presente. Você é nova, tem tempo para se preocupar. Tempo. Numa música do último final de semana você ouviu: “O tempo não para, no entanto, ele nunca envelhece”. Bonito, né? Sei que você tem pensado nisso.
O que te frustra de verdade é que o mundo não acompanha a velocidade das suas ideias. Acostume-se. Você é feliz e sabe disso. Cultiva, desde muito pequena, o que aprendeu com o seu pai: o valor das pequenas coisas do dia-a-dia. E, por mais tolo que pareça, assistiu a um seriado americano que dizia que não é preciso ser feliz o dia todo, mas é essencial ser feliz todos os dias. Você sabe. Você sabe, mas, mesmo assim, às vezes age como se tivesse esquecido. Controle-se.
Controle-se, principalmente, porque você não vive sozinha. Entre suas oscilações de humor, pode magoar ou conquistar muita gente. Ah, outra coisa importante: essa “gente” a que me refiro são os seus amigos. Os de verdade. Acho que você já sabe diferenciá-los. Vou te dar um conselho – entre tantos outros. É uma dica que ofereci a uma amiga na semana passada. Você não precisa deixar de conviver com quem não é seu amigo, com quem te passou a perna, com quem te magoou. Apenas saiba com quem você está lidando. Não se abra, não se exponha, não, não e não. Algumas pessoas nos desejam o mal sem nem perceber.
Responsabilize-se por TODAS as suas atitudes. E eu escrevo ‘todas’ em letras maiúsculas porque não há exceção. É tolice sofrer por aquilo que não podemos controlar, mas é ainda mais tolo depositar a missão da sua felicidade nas mão de outras pessoas. Seja feliz sozinha, e todo o amor que receber será ainda mais saboreado.
Quanto às suas aflições: vão passar. Não duvide e, principalmente, não desista. Eu entendo que você gostaria – e poderia – estar fazendo mais. Mais cursos, mais trabalhos, mais desafios. Mas, o mais nem sempre é bom. Divida a vida em fases e aproveite cada uma delas. Não estou dizendo para deixar de correr atrás, só quero que aprenda a viver sem sofrer. Continue buscando com a garra da jovem que você é, mas tente buscar na velhice o conselho sábio da resignação.
Aproveite para se renovar. Recue alguns passos e só observe. Já estamos fazendo isso agora. Juntas. Uma só.
Nem todos os dias serão coloridos, como nem todos serão cinzas. Nem sempre a vida tem sentido. Muitas vezes, nós temos que buscá-lo. Reinventá-lo. Ainda que seja uma tarefa árdua, cansativa, não desista: há sempre um bom motivo para continuar sorrindo.

 Daniella Gemignani - escreve há quase um ano no blog perlafelicita.wordpress.com