sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Não quero te perder pra depois valorizar você

 

Márcio Rodrigues

Eu tenho certeza do jeito que gosto de você. E isso aconteceu quando eu pensei na sua ausência. No meio tempo entre entender se o que eu sentia por você era só uma atração ou uma vontade de dividir meus dias, eu imaginei como seria a minha vida sem a sua. Me forcei viver com o vazio da sua presença e a saudade da sua risada. E não foi bom.

Eu te valorizo hoje para não ter que te lamentar amanhã.

Eu não quero sentir o sabor da saudade por algo que eu deixei escapar. E isso quer dizer que eu não quero me ver sofrendo depois só porque eu não fiz o bastante para te deixar ficar. Por isso eu quero ser uma pessoa diferente.

Sendo tão incompleto, um pouco mais por dia você me faz mais completo. É quando me vem o som da sua risada numa hora qualquer do dia e eu me pego rindo feito bobo é que penso: eu quero ouvir muito mais! Eu quero mais momentos como esse! É na sua torcida para que a minha vida dê certo, seu incentivo para eu continuar lutando e também pelo seu puxão de orelha, é por essas e outras tantas coisas, juro, por coisas como essas que eu quero ter você sempre por perto comigo.

Lembro dos nossos bons momentos planejando outros melhores. É um sentimento crescente, um mantra pessoa sobre a vontade de continuar vivendo bons dias. Quanto mais coisas boas eu pensar para nós dois, mais longe ficaremos das ruins.

Por isso não quero te perder para depois valorizar você. Eu já sei do bem que me faz, de cada uma das coisas. Me cabe saber reconhecer isso e agradecer todos os dias pelo privilégio de ter alguém ao meu lado para me ajudar. E isso é muito mais que amor! Não é sobre alguém pra amar (...)! É sobre alguém te falar na cara que você está errado, é sobre alguém estender a mão para segurar a bronca com você, é sobre alguém preferir o “vamos” do que o “vai”.

O amor é só uma embalagem bonita do presente que é a vida. Amor sozinho não é tudo. Responder “eu também” depois de um “eu te amo” não significa tanto. Aliás, repetir “eu te amo” incansavalmente também não garante nem comprova amor nenhum. O amor é o todo dentro do tudo que se pode ter com alguém.

Só quero continuar com os nossos dias. Quero continuar riscando nossos planos e traçando novos. Quero mais cinemas e descidas lentas nas escadas rolantes. Quero prolongar os nossos bons momentos, e tudo para isso para não te valorizar só depois de te perder. Quero esbarrar na sua mão mais vezes quando for pegar pipoca no pote durante o filme.

Fonte: Site EntendaOsHomens

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A VIDA SERIA MAIS SIMPLES SE AS PESSOAS NÃO VOMITASSEM FELICIDADE FALSA

por Sílvia Marques

A vida seria mais simples se as pessoas fossem mais elas mesmas. Se elas olhassem nos olhos dos outros e falassem sobre seus problemas, seus medos. A vida seria mais simples se a gente não precisasse provar que é bem-sucedido o tempo todo. Seria mais simples se a gente pudesse gostar das pessoas independentemente da vida que elas levam. Se a gente pudesse dizer sem constrangimento algum que está se sentindo um monte de merda e que a vida pode ser bem complicada sim. Talvez, se admitíssemos mais o caos que é viver, não sofreríamos tanto. Talvez, se desfocássemos mais daquilo que dizem que é importante , mas que não faz sentido para nós, fôssemos mais bem sucedidos num sentido mais amplo. 

Sim, a vida seria bem mais simples e espontânea se as pessoas não vomitassem felicidade falsa nem tentassem o tempo todo provar um equilíbrio que elas não têm. Ninguém acorda super bem todos os dias. Ninguém se sente disposto para uma cerveja depois do expediente todos os dias. Ás vezes a gente fica mal mesmo, lembra de um monte de fatos trash e quer chorar na cama que é lugar quente. Ás vezes as coisas não parecem fazer muito sentido e a gente quer ficar fechadinho dentro da gente mesmo.

A gente não é obrigado a ficar feliz e comemorar porque é (determinaram que tal dia é especial). A gente não precisa necessariamente sorrir e querer curtir porque faz sol, porque a gente está na praia ou porque disseram que a vida é simples e é o ser humano que complica.

A gente não precisa rejeitar a tristeza como se fosse uma doença pestilenta. Ela faz parte da vida como a alegria. Só precisamos tomar cuidado para não transformá-la em um hábito ou nos esconder atrás dela por medo de ser feliz ou ainda dar importância demais a problemas e principalmente à pessoas pequenas. Este é um exercício e tanto que pode levar anos ou a vida inteira. Mas me parece que vale a pena.

A vida seria mais simples se as pessoas fossem mais elas mesmas. Se elas olhassem nos olhos dos outros e falassem sobre seus problemas, seus medos. A vida seria mais simples se a gente não precisasse provar que é bem-sucedido o tempo todo. Seria mais simples se a gente pudesse gostar das pessoas independentemente da vida que elas levam. Se a gente pudesse dizer sem constrangimento algum que está se sentindo um monte de merda e que a vida pode ser bem complicada sim. Talvez, se admitíssemos mais o caos que é viver, não sofreríamos tanto. Talvez, se desfocássemos mais daquilo que dizem que é importante , mas que não faz sentido para nós, fôssemos mais bem sucedidos num sentido mais amplo.

Talvez se mostrássemos mais os nossos rostos demaquilados e nossas almas nuas, se não nos defendêssemos tanto uns dos outros, se não nos importássemos tanto em mostrar que somos melhores do que os outros, pudéssemos ser mais unidos, mais solidários, mais amados, mais amantes.

Se a gente entendesse que todo mundo está no mesmo barco...Rogo pelo dia em que as mulheres casadas se assumam sozinhas e mal amadas. Rogo pelo dia em que as mulheres solteiras confessem que uma companhia faz falta sim e que fazer tudo sozinha pode ser muito triste. Rogo pelo dia em que os homens tanto casados como solteiros afirmem com todas as letras que morrem de medo das mulheres e que nunca deixam de ser meninões. Rogo pelo dia em que as mães gritem desesperadas o quanto estão cansadas e as que não têm filhos lamentem esta lacuna em suas vidas. Que os (cegados) reclamem dos grilhões da fé (mal direcionada) e que os ateus lamentem não crer. Que todos se assumam meio perdidos, meio sozinhos nesta vida louca. Rogo para que as pessoas assumam como o passado é doloroso e o futuro incerto. E depois de tantas confissões acaloradas, que elas possam respirar fundo, sorrir umas para as outra e seguir em frente cheias de coragem. Que depois de tudo, a gente pudesse cantar juntos I will survive e nos sentir intimamente ligados ao outro por meio da nossa vulnerabilidade, por meio da nossa capacidade irrestrita e desgovernada de dar e receber amor.

SÍLVIA MARQUES

Paulistana, escritora, idealista, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Este mês lança pela Cia do Ebook o romance O corpo nu..
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* Expressões entre parênteses '()' são adequações ao texto original.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

As conquistas fundamentais da primeira infância

Patrícia Fonseca – Pedagoga, Psicomotricista e Educadora Waldorf em Formação

“Segundo Rudolf Steiner, na primeira infância, a individualidade espiritual da criança está trabalhando intensamente por meio de seu corpo através do brincar. Somente no brincar esta individualidade é visível. Brincar é um processo natural, indispensável para a saúde psíquica e emocional da criança. Do Engatinhar ao Escrever, o corpo pontua os caminhos psicomotres que a criança percorre desde o momento em que rola de um lado para o outro, rasteja, engatinha, senta, se equilibra, fica em pé, locomove-se e torna-se apta a explorar o mundo ao seu redor por meio da brincadeira, até conquistar a primeira escrita de letras, considerando todas as conquistas complexas que a levaram a esse sistema simbólico de comunicação humana. Andar e falar são conquistas fundamentais no seu relacionamento com o cosmo e com os outros seres humanos.”

Patrícia Fonseca

Toda criança em sua primeira infância, está desenvolvendo seus sentidos e sua vida anímica, o seu pensar imaginativo e a sua capacidade de criar. Seu corpo físico está em pleno desenvolvimento ligando as primeiras experiências psicomotoras ao processo do desenvolvimento da inteligência, relação esta indispensável para a constituir a vida de relações com o mundo.

Tudo isto é alcançado através do método natural que o ser humano possui durante a infância, o brincar.

Segundo Rudolf Steiner, na primeira infância, a individualidade espiritual da criança está trabalhando intensamente por meio de seu corpo através do brincar.

Somente no brincar esta individualidade é visível. Brincar é um processo natural, indispensável para a saúde psíquica e emocional da criança.

Na idade do Jardim de Infância, o brincar das crianças são como rastros que imprimem as suas primeiras conquistas mais especializadas: o falar, o andar, o fazer, o sentir, o modelar, o amassar. o cortar , o rasgar, o pensar , o agir, o correr, o subir, o parar, o pincelar, o traçar.

Do Engatinhar ao Escrever, o corpo pontua os caminhos psicomotres que a criança percorre desde o momento em que rola de um lado para o outro, rasteja, engatinha, senta, se equilibra, fica em pé, locomove-se e torna-se apta a explorar o mundo ao seu redor por meio da brincadeira, até conquistar a primeira escrita de letras, considerando todas as conquistas complexas que a levaram a esse sistema simbólico de comunicação humana. Andar e falar não são atributos físicos que uma criança adquire naturalmente, são conquistas fundamentais no seu relacionamento com o cosmo e com os outros seres humanos.

As marcas de seu desenvolvimento psicomotor, teve início antes mesmo de (sair da barriga da mãe). O movimento corporal da criança pequena é a base para o seu aprendizado intelectual posterior.

A criança tem muitas forças vitais, mas precisa dos adultos para ajudá-la a equilibrá-las e integrá-las à personalidade em formação.

A brincadeira realiza tudo isso com criatividade e as Jardineiras Waldorf (professoras ) realizam tudo isto com muito amor e respeito à criança.

Cores, gestos, sons, expressões, tons de voz, qualidades nos materiais e nas atividades diárias de um Jardim Waldorf, fazem parte de uma rotina saudável, chegando a representar o ambiente do Lar.

A criança pequena tem competências imitativas ilimitadas, que são a expressão de um um profundo desejo de aprender, de explorar o mundo, de pesquisá-lo.

A repetição de brincadeiras, ouvir as mesmas histórias, fazer o pão várias vezes, empilhar toquinhos diariamente e vê-los cair, é fascinante para as crianças.

A brincadeira é a expressão do espírito humano.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

NÃO ENXERGUE PROBLEMAS EM TUDO

por Marcel Camargo

"Se estamos viajando, pensamos em nossa casa à mercê de bandidos; se estamos amando, nutrimos inseguranças quanto aos sentimentos do parceiro; se estamos em férias, preocupamo-nos com o trabalho que se acumula no escritório. Não estamos nem aqui, nem lá, em lugar nenhum, e assim nunca conseguimos ser felizes."

Temos uma forte e nociva tendência a desmerecer nossas conquistas, nossos momentos, o que somos e temos. Não raro, quando nos encontramos em situações felizes, permanecemos em alerta, como se não fôssemos merecedores das alegrias que a vida nos traz, tentando mesmo estragar aquilo tudo. E isso acaba por tornar esses momentos menos especiais do que na verdade são. Da mesma forma, somos por isso impedidos de desanuviar a intranquilidade em nossos corações.

Diariamente, a vida nos disponibiliza oportunidades para que possamos aumentar nossa autoestima, gozar prazeres junto de quem amamos e nos ama de verdade, conquistar e satisfazer nossos desejos. Entretanto, nosso olhar negativista muitas vezes nos distancia do desfrute pleno das benesses que abençoam nossas vidas, embaralhando nossos sentidos, tolhendo nossa visão de alcançar a magnitude que se encontra presente bem ali ao nosso redor, dia sim e outro também.

Se estamos viajando, pensamos em nossa casa à mercê de bandidos; se estamos amando, nutrimos inseguranças quanto aos sentimentos do parceiro; se estamos em férias, preocupamo-nos com o trabalho que se acumula no escritório. Não estamos nem aqui, nem lá, em lugar nenhum, e assim nunca conseguimos ser felizes, tampouco obter satisfação com o que já temos. Carregamos nossos passos com incertezas e angústias que desequilibram a harmonia necessária ao recarregar de nossas energias. Completamos, consequentemente, esse vazio interior com insegurança, falta de confiança em nós mesmos, numa total ausência de fé na vida ou no que quer que seja.

É preciso, portanto, que adotemos uma postura mais positiva perante os fatos, para podermos caminhar com mais tranquilidade, encarando os problemas a partir de sua real dimensão, ao mesmo tempo nos fortalecendo com gratidão em relação às muitas alegrias que também nos cercam. Nenhum presente será completo, se não conseguirmos filtrá-lo e sorver tudo o que realmente vale a pena, tudo aquilo que energiza, reconforta, contenta e abre sorrisos. Tem muita coisa boa acontecendo ao nosso redor, em casa, na rua, no trabalho, e precisamos valorizar isso tudo.

Precaver-se pode ser útil, desde que não implique ignorarmos o real, o hoje que já está na nossa frente e que pode - e deve - ser trabalhado em favor da manutenção dos ganhos e da potencialização do que pode vir a se tornar ainda melhor. Enxergar o pior, pelo contrário, em nada nos servirá, a não ser para nos manter estagnados e impotentes frente ao que tem solução, frente a um amanhã melhor e mais feliz. É necessário mantermos uma postura otimista e a disposição para visualizarmos caminhos mais suaves e prazerosos, para o nosso próprio bem e de todos que vivem conosco.

Inegavelmente, o futuro nos aguarda com problemas e perdas de toda sorte e a isso ninguém fugirá. Porém, se nos concentrarmos na valorização das alegrias que da mesma forma tingem de magia a nossa jornada, preparando-nos para o melhor que a vida sempre terá a nos oferecer, seremos poupados de angústias desnecessárias. Se estamos felizes, é porque fizemos por merecer, é porque pautamos nossas vidas por amor verdadeiro. Essa felicidade então será, sim, nossa, sem medo, sem dúvidas, sem perigo. Porque o otimismo e a esperança de nossos olhares é que determinarão a real valorização do que nos torna felizes e completos.


MARCEL CAMARGO

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Por que Milhões de Homens Estão Perdendo os Amigos aos 20 e Poucos Anos



por Kevin EG Perry

Ilustração por Dan Evans.

Homens geralmente pensam em si mesmos como lobos solitários. Um lobo solitário sendo ambicioso no trabalho. Um lobo solitário no Tinder. Um lobo solitário jogandoFallout 4 sozinho e comendo lasanha de micro-ondas. Conforme ficamos mais velhos e a vida vai jogando mais merda na nossa cara, você começa a se perguntar se há uma razão para a maioria dos lobos caçarem em bando.

Geralmente, somos animais extremamente sociáveis na escola e na universidade, mas, quando as pressões do trabalho começam a bater, rostos que antes eram familiares começam a desaparecer, o que nos faz perceber como estamos sozinhos neste mundo.

Neste mês, uma pesquisa realizada pela Movember Foundation descobriu que 12% dos homens acima dos 18 anos no Reino Unido não têm um amigo próximo com quem discutir problemas sérios da vida. Isso dá 2,5 milhões de homens só na Inglaterra. Mais de um quarto dos pesquisados disseram que falam com seus amigos menos de uma vez por mês, enquanto 9% contaram que não lembravam a última vez que tinham feito contato com os amigos.

Isso pode virar um problema sério mais tarde na vida. Pesquisas da Organização Mundial de Saúde mostraram que a falta de amigos próximos tem um impacto significativo na saúde dos homens a longo prazo, nos deixando sob risco de depressão, ansiedade e suicídio.

Sarah Coghlan, chefe do Movember UK, me disse: "Muitos homens com quem falamos não percebiam quão superficiais seus relacionamentos tinham se tornado até enfrentarem um desafio significativo na vida, como um falecimento, fim de uma relação, paternidade ou desemprego – e é exatamente aí que melhores amigos são mais necessários".

Entretanto, o que acontece com nossas amizades quando ficamos mais velhos? Aqui, seis homens em diferentes estágios da vida discutem seus relacionamentos com os amigos.

Matt, 19 anos

"Fiz o primeiro ano da faculdade, mas foi um ano difícil em termos de relacionamento; então, acabei desistindo. Tenho feito trabalhos temporários desde então. Porém, enquanto essa coisa do relacionamento estava acontecendo, falei sobre isso com meus amigos, com quem frequentei a escola, em vez dos meus novos amigos de faculdade, só porque os conhecia melhor. Tenho sorte de estar num grupo social de umas sete ou oito pessoas – principalmente caras, mas também algumas garotas. Fizemos o segundo grau juntos, embora conheça alguns deles desde o primário. Sou bastante aberto com todos eles; logo, conversávamos sobre tudo. Eles também já comentaram coisas bem pessoais comigo. Eu preferia falar com amigos do que com minha família, porque estávamos passando por coisas parecidas na época; assim, nos identificávamos mais. Tenho amigos e conhecidos do trabalho e de esportes, mas meus amigos da escola passaram no teste do tempo. Passamos por muitas coisas juntos."

Tom, 21 anos

"Comecei a trabalhar direto depois da escola. Talvez eu tivesse feito mais amigos se tivesse entrado numa faculdade, mas o estilo de vida dos universitários tem muito a ver com encher a cara e experimentar drogas, o que eu não faço. Eu ia acabar ficando de fora, pois essas coisas nunca me atraíram. Fiz uns seis ou sete amigos próximos; além disso, também moro com alguns novos amigos, o que é muito divertido. Trabalho quatro ou cinco dias por semana; então, tento ver meus amigos quando eles estão livres. Noventa por cento dos meus amigos frequentam shows de hardcore; assim, sempre os encontro no mosh pit. Fiz a maioria dos meus amigos nos últimos três anos. Quando tinha 16, eu não tinha nenhum amigo. Isso mudou porque ganhei mais confiança para falar com as pessoas. Eu não conseguia conversar direito quando era adolescente; eu tinha medo. Hoje, tenho amigos que sinto que posso procurar para tudo. Fiquei na casa de alguns deles quando estava procurando um lugar para morar, e compartilhamos coisas profundas. Eles são mais minha família que minha família de verdade."

"A maioria das pessoas com quem saio são do trabalho, o que é meio deprimente."

Stefan, 24 anos

"Me formei em junho passado depois de fazer mestrado. Para ser honesto, sinto que só me dava realmente bem com as pessoas na faculdade. Os outros eram parte do grupo com o qual eu saía com frequência para beber, porém não eram pessoas com quem eu discutiria decisões da minha vida. Desde que comecei a trabalhar neste ano, a maioria das pessoas com quem saio são do trabalho, o que é meio deprimente. Eles são gente boa, mas a única coisa que temos em comum é que trabalhamos no mesmo lugar. Tenho três amigos que vejo regularmente e alguns outros com quem converso no WhatsApp, embora nunca os veja pessoalmente. Conforme o tempo foi passando, acho que parei de ser legal e amigável com pessoas com quem não me dou tão bem assim. Na escola, eu tentava fazer parte de vários grupos, mas agora só saio com esses três caras que conheço da minha cidade ou saio para reuniões sociais obrigatórias com pessoas que têm filhos. No entanto, acho que isso é bom – encontrei as pessoas com as quais vou continuar me dando bem por um longo tempo, em vez de tentar manter relacionamentos com pessoas de quem não gosto realmente. Se eu tivesse um problema sério, eu provavelmente falaria sobre isso com a minha namorada – a menos que a questão fosse sobre ela. Tenho um amigo que conheço desde os três anos, e ainda saímos sempre que ele está em Londres. Ele é o amigo que eu procuraria para coisas como essas."

Ben, 26 anos

"Ainda tenho três ou quatro amigos da universidade, mas eu era uma pessoa diferente naquela época. Eu era mais autodestrutivo. Não sou mais amigo da maioria das pessoas daquela época, porque não fiz o tipo de amigo que eu gostaria de ter agora. Não quero mais fazer as coisas idiotas que eu costumava fazer. Meus amigos da escola são os mais próximos, porém não os vejo mais tanto – o que é meio paradoxal, acho. Eu os vejo umas cinco semanas por ano, geralmente em despedidas de solteiro ou casamentos. Sei que eles vão me apoiar. Alguns deles passaram por maus bocados, e, depois que falamos sobre essas coisas, acho que não temos mais nada a dizer uns para os outros. Só que é difícil ter tempo para ver os amigos. Sinto que as semanas seguem muito uma rotina. Se encontro minha namorada uma ou duas noites por semana e tento me exercitar dois dias por semana, então sexta é meio que uma loteria... quando vou ter tempo de fazer outras coisas? Não dá tempo. Tenho uma videoconferência do trabalho hoje à noite, e isso não é incomum. Ou seja, é difícil ter tempo e energia para planejar coisas com os amigos. É triste. É meio deprimente pensar nisso."

"Meu melhor amigo é provavelmente a pessoa mais emocionalmente atrofiada que conheço."

Colin, 28 anos

"Tenho um grupo principal de amigos do meu primeiro ano de faculdade com quem ainda mantenho contato, apesar de alguns terem mudado para o exterior. Meu melhor amigo da faculdade foi à Nova Zelândia atrás de uma garota, embora eu ainda consiga falar com ele todo dia. A parte estranha do meu grupo de amigos é que um deles é minha ex-namorada. Se tento introduzir uma garota nova nesse ambiente, finjo que está tudo normal até receber um monte de mensagens escrotas. Fora esse pequeno problema, tento sair com eles o máximo possível. Na faculdade, nosso tempo juntos era resultado de ressacas pesadas causadas por bebidas vagabundas. Os dois anos depois da universidade foram cheios de sintomas de síndrome de abstinência por não haver mais momentos assim, apesar de agora eu estar bem com isso. Se tenho um problema sério, tenho algumas pessoas com as quais posso falar sobre assuntos diferentes. Um dos meus melhores amigos é provavelmente a pessoa mais emocionalmente atrofiada que conheço; logo, tento não discutir nada profundo com ele. Por outro lado, ele é uma das pessoas mais engraçadas que conheço; então, fujo alegremente dos meus problemas na companhia dele."

Michael, 30 anos

"Não fiz faculdade, mas comecei a trabalhar num ambiente no qual conheci um grupo de pessoas com a mesma idade que eu – e ainda estou em contato com alguns deles. Lá pelos 25 anos, eu estava sempre saindo com meus amigos nos finais de semana – nos encontrávamos o tempo todo. Naquele ponto, parecia que a festa nunca terminaria. Entretanto, no final da faixa dos 20 anos, as coisas começaram a mudar. As pessoas vivem suas vidas mais individualmente agora e se concentram em construir uma carreira e um futuro. Ninguém mais tem tempo para se divertir. Acho que foi a idade que mudou isso – e entendo. Ainda vejo um punhado de amigos próximos, mas, se quisesse falar sobre um problema sério ou uma questão profunda, acho que eu procuraria minha namorada. Eu gostaria de passar mais tempo com meus antigos amigos de novo, porém hoje tendo a achar que, se eu não estou ocupado, eles vão estar. É difícil achar tempo."

Tradução: Marina Schnoor.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O cenário preconceituoso no Brasil


 



Aqui estava nessa proletária existência a garimpar boas entrevistas, textos, vídeos e charges para elaborar uma aula dinâmica, diferente e relevante sobre o tema que mais gosto de debater com os alunos: o preconceito racial no Brasil. Recordei que há aproximadamente uma semana li uma reportagem sobre uma tal consulesa francesa que deu uma aula sobre o tema num talk show brasileiro. Eis que conheci a Sra. Alexandra Loras, figura elegante, inteligente, comedida, sensata, sóbria em suas falas, além de uma beleza irretocável. Convidada a contar sua história, relatou pontos importantes de sua vida que me chamaram muita atenção. Tornara-se consulesa por seu enlace matrimonial com o cônsul francês Damien Loras. Ao buscar outras entrevistas com tal personalidade encontro uma participação triste e debochada num programa com três apresentadores preconceituosos que não conseguiram esconder sua prenoção sobre o assunto em suas falas decoradas, e quando perguntada suas opiniões sobre temas polêmicos mudavam abruptamente o assunto. É interessante perceber que os formadores de opinião deste país são parcela considerável dos responsáveis pela manutenção do preconceito, segregação, marginalização da população negra. Loras relata que é comum, no Brasil, onde a população em sua maioria é negra - e apenas 7,6% se autodeclaram negras por falta de referência, ou auto preconceito mesmo -, seja costumeiramente apontada na rua por desconhecidos como babá de seu filho, que tem a pele clara. Em ocasiões formais, que por educação fica à porta recebendo seus convidados é ‘confundida’ com a recepcionista. Mas que novidade há nessas histórias vividas pela consulesa?! Nenhuma. Negros brasileiros passam por isso todos os dias. Uma sociedade que usa o uniforme para separar os proletários da elite, além do uniforme genético – se é que me entendem. Não trabalhamos efetivamente para a igualdade racial, social. Quando se evita o debate sobre um assunto é porque não queremos mudar o quadro atual – que o digam os casais que evitam a conhecida DR. Alexandra traz-nos uma reflexão pertinente: Como seria o mundo ao inverso? Como seria se nossa referência fosse a cultura negra, o contrario do que vivemos? Se apenas o que foi realizado pelos negros fosse considerado inteligente, bom, agradável e importante? Se todas as nossas referências históricas, revolucionárias, científicas fossem negra? E se todas as programações de TV fossem realizadas por negros – desenhos animados, telenovelas, jornalismo, programas de auditórios e outros? E a única coisa que soubéssemos a respeito dos brancos estivesse apenas em duas, ou quatro, páginas dos livros didáticos? Imagine se a representação caucasiana na TV fosse com personagens marginalizados, as mulheres brancas amantes dos negros ricos, a mulher branca sendo sempre a faxineira e os homens brancos traficantes, criminosos. Imagine 156 pessoas brancas mortas por violência diariamente, cerca de 154.000 por ano. Não seria cruel? Essa é uma pequena mostra da realidade brasileira negra hoje – que diga-se de passagem, teve uma pequena melhora. Não conhecemos as grandes figuras negras da nossa história, além dos músicos, atores e outros da classe artística. Criolo, o músico, disse certa vez (aliás, minha pesquisa se iniciou de uma entrevista dele que assisti pela enésima vez): ‘O negro é muito oprimido. O povo é trabalhador e abusam da tragédia social que vivemos. O que nos salvou foi a completa ignorância, o que nos salvou foi ser um ‘ninguém’ durante um longo trajeto da nossa historia. O que nos restou foi a beleza das artes, que para muitos é a fraqueza da alma’. Sim! Fomos e somos chicoteados literal e figurativamente todos os dias, mas resistimos.  Retomo a indagação de Loras: como seria essa sociedade ao inverso? Uma grande tristeza, mas faz-se necessário conquistar nosso espaço através de cotas. Afinal, a segregação racial não permite a inserção do negro na sociedade de maneira justa e nossa história comprova isso, não há como negar. Encerro o muito que tenho a dizer com as palavras de Criolo, que de forma poética retrata a realidade do negro no contexto social que estamos instalados: “Quem se apaixona pela paixão Então, pára, de se crescer, meu bem, Pois de todo esse amor Nenhum pedaço é teu”.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O ar gélido da amizade social

 



Às vezes, quase sempre, me pego pensando como é ruim, na era da tecnologia, das redes sociais, de quem tem mais seguidor, ver as pessoas felizes e não poder compartilhar. Não esse compartilhar que se transformou num botão gélido que nem se quer você o toca, até nisso há uma distância. Gostaria tanto de comentar que o seu sorriso é tão doce e sua companhia agradável, mas não nessa parede chamada popup e curtir, ah! esse se transformou num joinha. Valores inversos fazem a nossa sociedade. Mudaram as chamadas no portão por um bip que avisa que chegou mensagem, trocaram as cartas por um bom dia, boa tarde e boa noite de grupos no whatsapp, assim eu falo com todos e não esqueço de ninguém, como nos tornamos tão frios! 

As vezes, pensando pelo lado capitalista e insensível da humanidade, creio que ter dinheiro é bom. Por que só assim você vai ter o que quiser. Isso mesmo! Ter o que quiser, posso pagar uma pessoa pra me dar atenção, outra pra me fazer companhia e por aí vai. Por que aquela parte de se doar, amar, valorizar, se tornou clichê. Até pra crianças ganharem presentes se compartilha uma foto e faz a campanha de quantos likes se precisa pra ela (pobre coitada) ganhar uma bicicleta, um carrinho, uma boneca.

Até quando seremos dominados por essa rede, que de social não vejo nada tá mais pra rede de arrasto, que exclui as pessoas de aproveitarem um sorriso, um abraço, um aperto de mão, até perdem a oportunidade de enxugar a lágrima que cai daquele que ama, se perde e por ali ficamos.

Troque o bom dia virtual por um abraço surpresa, troque os grupos de whatsapp por um grupo de baralho, uma roda de samba. Lembranças virtuais por uma visita inesperada. Tem tanta gente presa nessa 'rede' que se assustam quando vê [a] gente.

Junior Ribeiro