sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Você é aquilo que diz não ser



Eu não te conheço. Mas você se conhece. Você quase sempre sabe quando está fazendo merda, falando besteira, se revelando. Basta ouvir a si mesmo. 




"não sou racista, mas..."
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“Não sou racista, mas…”
Fique atento sempre que essa construção sair da sua boca. Eu não te conheço. Não sei se você é racista ou machista ou esquerdista. Mas você sabe.
Você é o que você faz – não o que você pensa que é, o que você deseja ser, o que você diz que é.
Então, se você diz que não é machista mas, logo em seguida, faz um comentário machista – isso faz de você um machista! A expressão inicial “não sou machista mas…” além de NÃO servir como antídoto ou contraponto para o comentário invariavelmente machista que vem depois, ao contrário serve apenas para chamar atenção para ele. Machista é quem faz comentários machistas – independente da pessoa dizer ou não que é machista, de se achar ou não machista.

Exemplos:
“Não sou comilão, mas vou comer um segundo prato só porque não comi nada hoje.”
(Você faz o comentário justamente porque sabe que vai se comportar como um comilão e pegar um segundo prato – o que, naturalmente, faz de você um comilão.)
“Não sou direitista mas que aborto é assassinato, isso é.” Ou, ou: “Não sou de esquerda, mas acho que Fidel Castro fez bem em nacionalizar a economia.”
(O que faz de você um esquerdista ou um direitista são justamente suas opiniões esquerdistas ou direitistas. Se você diz que não é, é porque JÁ sabe que suas opiniões vão ser percebidas assim – e vão ser percebidas assim PORQUE SÃO ASSIM.)
“Não sou pedante, mas essa banda parece coisa de porteiro com gumex no cabelo.”
(Está ficando claro?)
“Não sou crítico literário, mas achei esse livro muito fraco.”
(Aqui, a pessoa diz que não é crítica literária porque está prestes a fazer algo que ela ACHA que é o que fazem os críticos literários, ou seja, julgar o livro. Naturalmente, não é isso, mas o exemplo se mantém: a gente sempre diz que não é aquilo que achamos ou tememos ser.)
Fiquem atentos ao que as pessoas dizem que não são. Especialmente se a pessoa for você.
Descobri coisas vergonhosas sobre mim mesmo quando passei a reparar quais coisas eu dizia que não era.
E, só assim, pude começar a mudar.


"juro que não sou racista mas..."
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* * *
Regra de gramática para a vida: falar “mas” zera a oração anterior.





Alex Castro

alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. // esse é um texto de ficção. // se gostou, assine minha newsletter e receba meus novos textos por email.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O desespero do beco sem saída


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Há muito queria falar sobre o desespero de Claudia Alencar. Refiro-me ao episódio em que a conhecida atriz tem uma crise de choro ao votar e alega não ter vomitado graças à intervenção divina. Temos observado o quanto as pessoas estão desesperadas, desnorteadas, sem esperança, sem saber o que fazer, sem saber filtrar suas frustrações, ou até mesmo externá-las. Temos muitas Claudias pelas cidades desse planeta. Tem um momento em que é necessário ‘vazar pelo ladrão’ ou implodimos. É nessa hora que mostramos o quanto somos sábios, maduros, de verdade. Nossa válvula de escape irá nos prejudicar a longo prazo e piorar o vazio que já sentimos? O fato é que vivemos guerreando e a decepção é muitas vezes um golpe fatal, dependendo do soldado que somos. Eis uma importante oportunidade de sentar, parar e ver todo o caminho que percorremos até aqui e avaliar se vale a pena perder tudo o que já conquistamos. Quando o cerco se fecha não é vergonha voltar ao ponto de origem e traçar um novo caminho. A meia-volta é uma forma humilde de dizer: ‘Posso percorrer uma nova trajetória sem me perder.’ Reavalie! Sim... Observe o que te influência... Amizades, amor, ambiente... Filtre-se de tudo isso!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Amor Próprio - Quem é melhor em ser você do que você mesmo?

 


Sim, ele merece um texto, tendo em vista que: move montanhas, estremece estruturas e derruba o que acha pela frente. Normalmente usamos ele como sinônimo de conquista, paixão por algo, é sinônimo de vontade e de persistência, seguir em frente! Seja em uma corrida rasa, ou com obstáculos, tendo um começo é o que importa. 
Nessas situações o amor se faz presente, ele floresce na primavera, e amadurece com o tempo. Possui vontades, e muitas vezes é aplaudido pelos fracassados que não o conseguem, sendo sinônimo de sucesso e de boa conduta, pelo fato de que sempre foi movido pelos reais interesses e objetivos. Ele não tem espaço para meias verdades, muito menos para fatos absolutos, ele é permeável, e se aquece com facilidade. 
Se eu pudesse defini-lo seria o combustível da vida, faz a inércia criar movimento, levita os corpos mais pesados, e alimenta o que não existe no mundo material, sonhos! Ele varia de pessoa para pessoa, alguns nunca o encontram, alguns nascem com ele... É incerto, inafiançável, pois uma vez refém, não se tem mais volta nem quem solte! 
Não falo de qualquer amor, falo do amor próprio. Veja bem, muitas vezes nos preocupamos tanto ou pensamos tanto que esquecemos o verdadeiro sentido das coisas, se aceitar, e se amar. Muitos pensavam no sentimento na relação para com alguém, mas ele só vai durar, se você tiver amor para doar, de dentro pra fora, o processo inverso nunca ocorre. Somos os verdadeiros amores de nossas vidas, afinal quem é melhor em ser você do que você mesmo? Antes de achar que não tem volta, lembre-se: a vida é um caminho só de ida.



Diego Freitas,
@freitasfurtado












Fonte: SIte Vida de Solteiro

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Não viva a necessidade do amor

 



Você deve estar lendo esse texto pensando: nossa, que cara sem coração. Quem é que não precisa de um amor? Calma pequeno pimpolho ou pimpolha, eu vou explicar. 
 Eu acho que as pessoas não tem que criar NECESSIDADE de amar alguém, de ter alguém do lado. Por mais que você ache que não é possível ser feliz sozinho, há quem diga que sim (como eu), e até acho que nasci pra ser solteiro.

As pessoas vivem uma grande sina que é de que se você não tem alguém do seu lado, se você não ama alguém, se você não compartilha momentos da sua vida com uma pessoa, você não é feliz. Grande engano. A vida não se vive só a dois. 
Onde foram parar seus planos com seus amigos? Aquelas suas viagens repentinas? As noitadas... E não venha me dizer que você poderia fazer tudo isso se tivesse com alguém do lado também, porque você está se enganando. É claro que não é da mesma forma. 
 Planos pra vida, de trabalho, de saídas, não ter que dar satisfação pra ninguém, sair com aquele seu amigo altas horas da matina com o esquema todo armado... É bem diferente! Mas eu não estou aqui pregando o desamor, que as pessoas não devem amar alguém ou serem amadas. Eu só acho que não há essa necessidade, essa busca incessante pela tal "alma gêmea". 
Acredito que o amor é importante, sim. Quem não já se apaixonou? Mas aquele amor que acontece repentinamente, quando você não espera, quando é natural. E não aquele amor buscado, que você sai pra balada (pra conhecer uma pessoa do tinder) achando que ela é o grande amor da sua vida. Isso não! 
 No fim das contas, eu não sei definir o que é amor e não estou aqui pra julgar o que você diz ser o  amor ou se você acha que tem sim que ter alguém do lado pra ser feliz. Na minha cabeça felicidade e amor não são almas gêmeas. Elas podem até andar juntas e se complementarem, mas não significa que elas necessariamente tem que se fundir. Ou seja, viva feliz sem amor também. Aliás, já que é amor, você pode se amar, é muito melhor. Então, seja feliz amando você, seja feliz solteiro e fazendo todas as peripécias que a vida tem pra te oferecer sem que alguém te encha o saco! 
 Posso um dia vir a mudar completamente de opinião sobre o que escrevi e achar o amor da minha vida, além de ir morar com ela numa casinha de sapê. Mas antes disso, vou aproveitar da forma que for, sem estar na obrigação e na caça de um amor. E eu não sou sem coração, tenho muito até, mas como eu disse, tem que ser natural e de verdade. Tenho uma tatuagem que completa um belo verso do CBJR "...basta que venha do coração, basta que venha da mente." E é assim que acho que temos que seguir. Cabeça, corpo e mente, sem obrigatoriedades, sem regras.



Oscar Filho




















 Fonte: Site Vida de Solteiro

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Efeito colateral da mulher romântica








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Fabrício Carpinejar

 


A mulher romântica tem um efeito colateral: não perdoa. Não perdoa mesmo.

Ela não esquecerá qualquer mancada que você tenha feito. Pode recorrer ao exorcismo, afogar Santo Antônio, investir o salário em macumba.

Nada apagará a ofensa de sua memória. Nada amansará sua dor.

O tempo não desgastará a mágoa, é tudo como se fosse ontem. Ou melhor, hoje de manhã.

Não existe atenuante, não existe a tecla Delete, não existe nem condenação a serviços comunitários.

A idealização, quando machucada, traz a intransigência. Não encontrará mais rascunhos na idealização.

A partilha, antes bênção dos elogios, será calvário das acusações.

Para a mulher romântica, a memória tem uma única vida, como o vestido de noiva. Não há maneira de reaproveitá-la.

Uma falsidade, ainda que eventual, tornará o resto inteiro falso, criando a suspeita do engano permanente.

Ela se lembrará da tristeza pela relação inteira. Sempre voltará ao assunto, sempre trará o ressentimento à baila.

A mácula se transformará num quartinho proibido e assombrado da convivência, a mancha fechará a porta da espontaneidade.

Você pensa que, por ser romântica, ela é tapada. Você pensa que, por ser romântica, ela é dependente e frágil. Você pensa que, por ser romântica, ela aceitará qualquer

coisa. Você pensa que, por ser romântica, ela terá compaixão. Enganou-se redondamente.

Você confundiu romantismo com amor incondicional, este é o seu engano.

Toda mulher romântica, por mais que se esforce, jamais perdoa qualquer deslealdade ou infidelidade.

O homem pode se retratar diante da família e dos amigos, arrepender-se publicamente, rastejar no chão da cozinha, subir escadarias de joelhos, prometer ser perfeito

dali por diante: não adianta.

Mulher romântica apenas é boa quando você não pisa na bola. Depois da falha, ela será um inferno.

Como ela é devota, sensível e dedicada, qualquer sofrimento pesa duas vezes mais. A ferida dói o dobro.

A mulher romântica não tolera mentira.

Desde o início da relação, só faz uma exigência: a sinceridade.

Quando quebrada a sinceridade, ela não acreditará mais.

O conto de fadas não tem como ser refeito. O encantamento some, e o poder das juras desaparece. É agora falar para o vento e viver casado com a tempestade.

 


Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4, 04/11/2014
Porto Alegre (RS), Edição N°17973

domingo, 2 de novembro de 2014

Namore um cara que escreve

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Namore um cara que escreve. Não um cara que te manda poesias do Drummond ou que te manda letras do Chico com foto de pôr do sol. Namore um cara que escreva ele mesmo para você. Um cara que escreve irá perceber os detalhes entre vocês dois, e assim escrever cartas e textos pessoais que falem especificamente sobre vocês dois, não cartas de amor genéricas catadas no limbo da internet. Namore um cara que, ao invés de comprar um cartão de dia dos namorados com um poema do Vinicius, vai escrever um texto para você no seu computador enquanto você toma banho para irem jantar.
Um cara que escreve vai, ao mesmo texto, fazer você rir, chorar, sorrir e querer abraçá-lo como se ele fosse dez centímetros mais alto, dez quilos mais magro e tivesse mais dois dígitos na conta bancária. Positivos. Namorar um cara que escreve é namorar alguém autoconfiante, que sabe que a pena é muito mais forte que a espada, ainda que a pena dele responda pelo nome de teclado. Namore um cara que ficará orgulhoso ao ser comparado com o Veríssimo ou ao Pessoa, e não se comparado ao Vitor Belfort ou ao Rodrigo Santoro. (Ok, o Santoro é covardia).
Namorar um cara que escreve significa ter um namorado que, ao te descrever, vai fazer você se achar a própria Angelina Jolie, e suas amigas, ao lerem, vão achar que ele descreveu alguma princesa de contos de fadas. Por falar em amigas, namorar um cara que escreve é matar suas amigas de inveja dos seus textos lindos, das suas cartas emocionantes e engraçadas. Namore um cara que escreve e garanta textos engraçados para quando você estiver triste, textos amorosos para quando estiver carente e cartas inesperadas durante um dia de trabalho rotineiro.
Namore um cara que escreve e massageie seu ego vendo outras mulheres dizerem que adorariam que os namorados delas escrevessem assim. Namorando um cara que escreve você não vai entender como suas amigas conseguem namorar engenheiros, médicos e analistas de sistemas, nem como elas conseguem achar bonitas aquelas frases copiadas de algum “As cem melhores frases de amor de todos os tempos”.
E por fim, namorar um cara que escreve é namorar um cara descolado, que sabe que “namorar um cara que escreve” não é a forma correta, e sim “namore um cara que escreva”, mas, mesmo assim, ele acha que do primeiro jeito fica muito mais bonitinho e descolado.



Sobre Léo Luz

Leonardo Luz é escritor e roteirista, e não sabe fazer mais nada da vida, a não ser jogar poker e fazer pipoca de microondas.

sábado, 1 de novembro de 2014

Decisão

Não estou conseguindo dormir essa noite. São 00:51 hrs e ainda não consegui fechar os olhos, nem para fingir que estou dormindo. Me sinto cada vez mais incomodado! Já senti isso antes, mas dessa vez é diferente, pensava que estava imune a esse vírus. Não consigo pensar no futuro de forma nítida, sem forma definida. O futuro é mais incerto que o passado que gosto tanto de pesquisar. Saber corretamento o que acontece seria bom. Mas quando estamos no olho do furacão o óbvio parece imaginário. Fico aqui martelando o porquê ainda não tive sono e a culpa é da incerteza. Queria ter tomado uma vacina definitiva contra esse vírus.
Neste momento tomei uma decisão da qual tenho certeza que vou me arrepender. Vou me distanciar de você. Não imagina o mal que me faz estar perto de você, penso nisso a todo momento. Saiba que estará por tempo indefinido bloqueada do meu MSN, TWITTER, FACEBOOK e SKYPE. Entenda que será melhor assim. Lembre-se que “pular é melhor que cair do cavalo”. Quem sabe também o caminho estará livre para você, como esteve para mim há dezoito meses atrás. São 01:02 hrs e não paro de escrever, de pensar que a vida seria excelente ao seu lado. Nem acredito que estou nessa situação ‘ridícula’, me sinto tão humano, vulnerável e imperfeito agora. O amor está no ar, mas o ar é abstrato, e estando nessa condição torna-se difícil tê-lo como concreto. Em pleno século 21 e depois de tato viver (não que tenha vivido tanto assim) ainda há um homem que ama e sofre por isso, imagino que muitos queriam estar em meu lugar, mas aposto que essas pessoas seriam mais decididas e não teriam tanto medo como eu. “Você está em todos os momentos que eu vivo”.
Te esperei e pedi a Deus por muito tempo. Mas por imaturidade estou abrindo mão de você. Que idiota, ingrato e infeliz! Se você, se eu, se alguém me entendesse! O fato é que cansei de questões que ficam no ar. É tudo muito abstrato, muito indefinido. Não estou acostumado com isso! “Quando sei que vou te encontrar imagino o que tenho que falar” e isso me é desagradável. “Vou sonhar outras e muitas vezes com você”, mas provável e dificilmente viveremos a realidade. E tudo é mais simples do que imaginamos, você nem me nota. Simples e comum! Hoje uma tragédia, pelo menos para mim, amanhã quem sabe não seja uma comédia?!
Tenho certeza que esse texto ficará despercebido por muito tempo ou por toda a eternidade, pois quem será o único ‘idiota’ a falar de sentimentos com recessão econômica, catástrofe natural no Japão, problemas políticos, fome, desigualdade social e tantos outros problemas no mundo?! Você nem perceberá se a excluir do meu convívio.

A conclusão do assunto é: “Te amo, mas prefiro negar e não arriscar!