sábado, 7 de junho de 2014

...

Imagem: Reprodução
 
 
Grande amor? Na verdade não precisa ser grande. Precisa ser exatamente do tamanho que é. Ideal? Também não precisa e nem deve ser. O que precisa é ter entendimento e ser generoso. Aquele amor que anda em passos compassados - no mesmo ritmo do nosso coração. Aquele amor que espera a porta do elevador abrir para te encher de beijos. Beijos que nunca ficam escassos. Aquele amor que te olha do outro lado da chama da fogueira. Chega de mansinho. Tá vendo? De novo a paixão acontece. Mas não precisa ser exatamente assim, não. Não precisa ser grande, mas tem que ter o mesmo tamanho do nosso desejo. Dividir o desafio do nosso sonho. Andar com os pés descalços na terra. Acordar pro outro a qualquer hora do dia ou da noite. Mas amor é só assim? Tem que ser e pronto. Amor que perdoa. Amor que fere, mas só se for sem querer. Amor que fica pra sempre. Que tenha coragem. Que possa olhar e dizer pro mundo. Amor que te pegue pela cintura. Que te coloque no ar. Qualquer amor que seja. Mas amor de verdade. E não aquele que você sonhou e acreditou que seria. Porque este. Este que é agora, mas não foi. Ele aperta. Sufoca. Te cobra expectativas frustradas. E não te deixa mais ir embora. Afinal, nosso coração ainda procura aquele amor que não precisa ser grande, mas enfim que seja único: esse sim será pra sempre com potência legítima para ser. Porque esse sim, ele já é.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

- Pensamentos... -


Imagem: Reprodução


Nada mais rejuvenescedor que um mistério que nos faz sair do ócio e incita movimento. A vida nos proporciona momentos singulares onde o que os diferencia é como lidamos com cada um deles. Ao nos depararmos com uma situação totalmente nova (a partir da perspectiva de cada um), é necessário improviso, arte! Aí se encontra a magia da vida...

Sair da zona de conforto é, comodamente, necessário.

- Igor Daniel -

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sou uma permanente construção



Imagem: Reprodução







‘Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo, Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo’, poetizou o português Fernando Pessoa. Por isso, tenho certeza que eu não sou que penso e muito menos quem um terceiro olhar imagina. Sou um mosaico. Sim! Um mosaico de sentimentos, emoções, sensações. Sou um pouco da personalidade da minha mãe e pouco do meu pai, por ausência. Sou um pouco do amor inocente da Amanda, da amizade pura de Douglas, do amor despercebido de Roberta. Sou muito dos gostos musicais de Robson, do desprendimento de Ju, do amor inexplicável de Milza, da humildade de Josina. Sou um fragmento da jovialidade de Pablo, seriedade de Edna e interesse de Wallace. A vida seguia e o mosaico foi se formando. Com o tempo adquirimos a serenidade de Carminha, o amor platônico e super amizade de Viviane, criamos laços fraternais com Ricardo, admiramos o bailar de Fabiana, a desenvoltura de Luiz, a graciosidade de Nathalia, o olhar sereno de Débora. Porque não citar o amor por lápis?! A vontade de fazer parte de algo grandioso, que estivesse revestido de amor. Então se aprende o autocontrole com Júnior, a forma singela de Kenne, a maneira misteriosa de Will, a sinceridade de Daniela, a responsabilidade de Paulo. Sou uma parcela da alegria de Rose, da inteligência de Sheila, da timidez de Juliane, do foco de Cristiane. Um pouco da rebeldia dos Fábios, do sentimentos maternal de Maria Helena, do desejo de viajar de Jóice, do casamento com Karina, das loucuras respeitosas de Pablo, do silêncio de Reginaldo, do jeito operístico de Cláudia, da garra de Fabiane, da calma de Kélvia. Ocasionalmente, sou um tanto da euforia de Ivete, da poesia de Saulo, da incompreensão de Michael, da arte de Miguel. Sou uma mistura bem temperada de Ariana, de Marias, Wanderléa, Glauce, Juliana, Francys, Yaminnie, Willena, Sávio, Meire, Celso, Thanee. Sou o olhar observador de Paulo, Henrique, Moacyr, José, Rogers. Sou sempre uma versão jovem de Arthur, Dhavi, Laura, Fabrício, Rodolfo, Camila, Régis, Bruna. Sou a educação de Sâmila, Natércia, Aparecida, João, Carla, Fátima. Sou o sentimento paternal aflorado por Vítor, Maicon, Pablo, Rafael, Lucas, Pâmela. Sou o ressurgimento da pureza por Clara. Sou os olhos sigilosos de Rafael. Sou a vontade de estar no país das maravilhas de Alice. Sou a luta de Gesiane. Sou parte da coragem de kamberly e Bruno. Sou, ou gostaria de ser, as altas aventuras de Jhonatan.  Sou tantos e apenas um. Talvez um nada. Um mosaico sem valor. Ainda em construção, pois ainda serei muito dos que estão por vir. Não por falha, ou falta, de personalidade. Mas por me reinventar a cada dia. Afinal, é disso que é feita nossa existência, não vamos nos iludir!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Fragmento de 'Noites Brancas'

Imagem: Reprodução


"Há momentos em que sinto tal tristeza, tal espanto… Nesses momentos chega a parecer-me e até começo a acredita-lo, que já não poderei iniciar nenhuma vida nova, pois já por mais de uma vez tive a impressão de que perdia todo o sentimento e toda a sensibilidade para tudo quanto é realidade e vida verdadeira; porque eu me amaldiçoei a mim mesmo; porque às minhas noites fantásticas se seguem momentos de prostração que são terríveis. E para além de tudo isto acabamos por sentir que as massas humanas se agitam à nossa volta em ruidoso tropel, ouvimos e vemos como vivem as criaturas: o que se chama viver, viver de verdade e acordado, e chegamos a verificar que a nossa vida não obedece à nossa vontade, que a nossa vida não se deixa moldar como um sonho, que eternamente se renova e fica eternamente jovem, e nela nenhuma hora é igual à que se segue, enquanto a horrível fantasia, essa nossa força de imaginação, acaba por ficar desconsolada e suscetível, e monótona ate à vulgaridade, escrava das primeiras nuvenzinhas que de repente cobrem o sol e oprimem numa dor amarga o nosso coração que tanto ama esse mesmo sol. E até na própria dor, que fantasia! Sentimos que, por fim, essa mesma fantasia que parece inesgotável, há de esgotar-se na sua eterna tensão, pois nos vamos tornando mais viris e amadurecidos, e superamos os nossos antigos ideais, que se desvanecem e se reduzem a palavras e a pó. E se depois não houver outra vida, temos de nos pôr a reunir os restos desse entulho para com eles voltarmos a refazê-la. E contudo a nossa alma reclama e anseia por alguma coisa completamente diferente. E em vão o sonhador remexe nos seus antigos sonhos, como se ainda procurasse no rescaldo uma centelha, uma só, por pequena que fosse, sobre a qual pudesse soprar, e com a nova chama assim ateada aquecer o coração enregelado e voltar a despertar nele o que dantes lhe era tão querido, o que comovia a nossa alma e nos arrebatava o sangue, aquilo que fazia subir as lágrimas aos nossos olhos e que era uma ilusão tão bela."

- Fiódor Dostoiévski, em 'Noites Brancas'.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Enquanto eu viver.


 Por: Ique



Hoje sentei ao lado do meu pai.
As mãos dele começaram a tremer.
Ele pegou o ipad e escreveu:
“Meu filho, estou com dificuldades para digitar.
Não sei até quando vou conseguir.
Então, vou escrever algumas coisas pra você nunca esquecer, tudo bem?”
Respondi:
“Tudo bem.”
Ele começou a digitar.
Quando terminou,
com os olhos cheio dágua, entregou o Ipad.
Comecei a ler:
“Enquanto eu estiver vivo,
não me deixe dormir até tarde.
Estamos aqui por pouco tempo.
E enquanto estou aqui quero aproveitar.
No café,
não coloque adoçante.
Eu gosto com açúcar, com afeto.
Na hora de me dar banho,
não precisa escutar Roberto Carlos.
Pode colocar o vocalista cabeludo que você gosta.
Não lembro o nome dele, “Eddie Vera?”
Daqui 2 meses,
é meu aniversário.
Me leve para ver o mar, pela última vez.
Enquanto eu estiver vivo,
toda sexta feira,
traga rosas vermelhas
e entregue para a sua mãe.
Antes de dormir,
gosto de ver o Jornal.
Quando acabar, por favor, mude de canal.
Não deixe na novela!
Os canais que eu gosto:
HBO, Discovery e FOX.
Quando sair do quarto,
deixe a cortina aberta.
Eu gosto de olhar as estrelas.
Antes de dormir,
leve sua mãe ao meu quarto todos os dias.
Eu quero que os olhos dela,
sejam a última coisa que eu vou ver.
Enquanto eu estiver vivo,
vamos precisar de sinais.
Quando eu piscar uma vez é sim.
Duas vezes é não.
Três vezes é “Eu te amo”.
Nós todos vamos morrer.
Depois que eu partir,
continue comprando rosas vermelhas.
Mande entregar toda sexta-feira na casa da sua mãe.
Sempre com um cartão, escrito:
“Com amor, Juarez”
Quando minha neta completar 15 anos,
dê uma joia e dance a valsa com ela.
Entre um passo e outro,
diga suave no ouvido dela:
“O vovô te ama”
Uma vez por ano,
junte seus irmãos, sua mãe
e façam uma viagem.
Não foque no medo.
Foque na sua vida.
Encontre alguém,
com que vai passar o resto da sua vida.
Homens tornam-se maridos e pais.
Case-se.
É maravilhoso dividir a vida com outra pessoa.
É a coisa mais importante que existe. O amor.
Uma vez por dia,
pegue o meu celular,
e envie uma mensagem pra sua mãe,
escrito: “Eu te amo”.
Uma mensagem,
pode mudar uma vida.
Todo dia 2 de Junho,
busque sua mãe as 20:00,
e a leve para jantar.
Ela irá entender.
(...)Depois que eu partir,
olhe para o céu.
E toda vez que ver uma estrela,
será o nosso reencontro.
Entreguei o ipad pra ele.
Enxuguei as lágrimas.
Respirei.
E pisquei três vezes.

Curta a página do blog.
facebook.com/blogthebrocode

Fonte: TheBroCode

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O lixo tecnológico inunda a África




O lixo tecnológico inunda a África

Para os países mais desenvolvidos, sai muito mais barato se desfazer de seus descartados em portos remotos da África, ao invés de seguir as normas estritas de reciclagem que eles mesmos impuseram, e que ninguém quer cumprir

Por Aurora Moreno, original em La Marea. Tradução por Ítalo Piva

Para onde vão os móveis, computadores, micro-ondas ou geladeiras velhas? O que acontece com estes aparatos uma vez que os tiramos do lixo, ou inclusive os reciclamos? O caminho que percorrem não está totalmente claro, porém do que não sobra dúvida é de que existem vários lugares no mundo onde todo esse lixo tecnológico acumula há anos, tornando estes lugares mais contaminados que zonas de extração ilegais de produtos altamente contaminantes como petróleo e urânio, entre outros.
O exemplo mais claro disso é a chamada lixeira tecnológica de Agbogbloshie, em Accra (Gana), onde, segundo alguns estudos, existe contaminação de chumbo, cádmio e outros contaminantes prejudiciais à saúde em níveis 50 vezes maiores do que o permitido. Uma pesquisa de 2013 realizada pela Green Cross Switzerland e o Blacksmith Institute relatou as 10 maiores ameaças tóxicas do planeta, quer dizer, os 10 lugares mais contaminados do mundo.
Um deles é essa lixeira, que compartilha a triste honra com lugares como Chernobyl. Oficialmente, se trata de uma “área de processamento de lixo tecnológico”. Um eufemismo para definir um lugar onde vão parar milhares de toneladas de resíduos tóxicos, para, em teoria, serem “processados”. A realidade é que chegam até ali, misturados, materiais de todo tipo – geladeiras, micro-ondas e televisores – tão diversos e contaminantes que, para reciclar de maneira segura, “teria que haver um alto nível de competência e proteção entre os trabalhadores”. Algo que obviamente não acontece em Agbogbloshie. O pior é que essa zona não é apenas uma lixeira. É um assentamento informal no qual convivem indústrias, comércios e residências. Uma área onde os metais pesados que são expelidos nestes processos de queima chegam às casas e mercados.
Segundo essa mesma pesquisa, de 2013, o Gana importa cerca de 215.000 toneladas de resíduos tóxicos por ano, principalmente do Leste Europeu. Delas, aproximadamente a metade pode ser reutilizada imediatamente, ou consertada e vendida, porém o resto do material é reciclado de forma barata, ao custo de contaminar a terra que os recebe, e prejudicar a saúde daqueles que com eles trabalham. Um exemplo paradigmático é dos catadores de cobre, que queimam os fios que recebem para conseguirem os cabos de cobre no interior. Para a queima, utilizam um tipo de espuma, altamente tóxica, jogando ao ar livre todos seus contaminantes.
Fogueiras, fumaça e materiais descartados compõem o dia a dia de algumas partes da lixeira, onde trabalham sobretudo jovens sem recursos, de famílias pobres, que dependem por completo do que tiram do aterro. Pessoas que sabem que o trabalho ali é ruim, mas que não reclamam porque o que conseguem ali é melhor do que nada. O material que lá obtêm pode ser vendido rapidamente pelas ruas de Accra, assim ganhando o necessário para sobreviver. Isso é também do interesse de outros: o centro de Accra está repleto do lojas que vendem todo tipo de aparelho elétrico a preços baixos, boa parte deles de segunda mão. Este tipo de situação não acontece só no Gana, que é de fato, um dos países mais desenvolvidos do continente.
A mesma realidade afeta outros lugares como o Zimbábue, onde pouco tempo atrás foi dado o alerta sobre uma possível crise ambiental, por falta de sistemas adequados para a eliminação desse tipo de resíduo. Tudo isso apesar da existência de tratados internacionais, como a Convenção da Basilea, que restringe o movimento entre fronteiras de despejos, uma adição ao acordo firmado em Bamako (Mali), em 1993, sobre o mesmo tema. São tratados que estabelecem condições, quantidades e critérios para verificar se a “exportação” de lixo está sendo bem feita.
Porém, para os países mais desenvolvidos sai muito mais barato se desfazer de seus descartados em portos remotos da África, ao invés de seguir as normas estritas de reciclagem que eles mesmos impuseram, e que ninguém quer cumprir. Para os receptores, por sua parte, essa é uma suposta fonte de riqueza da qual vivem muitos de seus cidadãos, apesar dos riscos e problemas de saúde. Definitivamente, uma solução que convém a muitos, e que nem começou a ser regulamentada.

Fonte: Revista Fórum

domingo, 1 de junho de 2014

Trecho de diário

Imagem: Reprodução



Hoje me acordei pensando em uma pedra numa rua de Calcutá.
Numa determinada pedra em certa rua de Calcutá,
Solta, sozinha. Quem repara nela?
Só eu, que nunca fui lá,
Só eu, deste lado do mundo, te mando agora este pensamento...
Minha pedra de Calcutá!

Mario Quintana