Fonte: Canal F. Peña - YouTube
Espaço com expressõs de mentes anônimas e famosas. Aqui você encontra músicas, filmes, poesias, crônicas, pesquisas, frases ou todas elas na mesma postagem. Doses diárias de reflexão para você que tem a sensibilidade de compreender que a vida é uma arte sem fim.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Carolina Maria de Jesus, a escritora que o Brasil esqueceu.
Semi-analfabeta, negra e favelada, Carolina foi mãe de três filhos e nunca se casou.
Apesar de tais condições, a paixão dela pela escrita e leitura
foi tamanha que passou a dividir seu tempo entre catar papel, cuidar dos filhos e escrever.
Lançado pela Livraria Francisco Alves em agosto de 1960,
Quarto de Despejo ganhou oito edições no mesmo ano,
tendo mais de 100 mil exemplares vendidos na época.
| (…) em 1948, quando começaram a demolir as casas térreas para construir os edifícios, nós, os pobres que residíamos nas habitações coletivas, fomos despejados e ficamos residindo debaixo das pontes. É por isso que eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos. |
“Quando eu levava feijão pensava: hoje eu estou parecendo gente bem, vou cozinhar feijão. Parece até um sonho!”
“…. Há existir alguém que lendo o que eu escrevo dirá… isto é mentira! Mas, as misérias são reais.”
“De manhã o padre veio dizer missa. Ontem ele veio com o carro capela e disse aos favelados que eles precisam ter filhos. Penso: porque há de ser o pobre quem há de ter filhos ¬ se filhos de pobre tem que ser operário? (…) Para o senhor vigário, os filhos de pobre criam só com pão. Não vestem e não calçam.”
“Quando eu vou na cidade tenho a impressão de que estou no paraíso. Acho sublime ver aquelas mulheres e crianças tão bem vestidas. Tão diferentes da favela. As casas com seus vasos de flores e cores variadas.Aquelas paisagens há de encantar os visitantes de São Paulo, que ignoram que a cidade mais afamada da América do Sul está enferma. Com as suas ulceras. As favelas.”
“Eu já estou tão habituada a ver brigas que já não impressiono. Despertei com um bate-fundo perto da janela. Era a Ida e a Amália.A briga começou lá na Leila. Elas não respeitam nem a extinta. O Joaquim interviu pedindo para respeitar o corpo. Elas foram brigar na rua.”
“…. Nas favelas, as jovens de 15 anos permanecem até a gora que elas querem. Mescla-se com as meretrizes, contam suas aventuras [...] Há os que trabalham. E há os que levam a vida a torto e a direito.As pessoas de mais idade trabalham, os jovens é que renegam o trabalho. Tem as mães, que catam frutas e legumes nas feiras. Tem as igrejas que dá pão.”
“ Os meus filhos estão defendendo-me. Vocês são incultas, não pode compreender. Vou escrever um livro referente a favela. Hei de citar tudo que aqui se passa. E tudo que vocês me fazem. Eu quero escrever o livro, e vocês com estas cenas desagradáveis me fornece os argumentos.”
“…. Quando um político diz nos seus discursos que está ao lado do povo, que visa incluir-se na política para melhorar as nossas condições de vida pedindo o nosso voto prometendo congelar os preços, já está ciente
que abordando este grave problema ele vence nas urnas. Depois divorcia-se do povo. Olho o povo com os olhos semicerrados. Com um orgulho que fere a nossa sensibilidade.”
“Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade.”
- Gregori
Fonte: Livres Pensadores
domingo, 5 de janeiro de 2014
"Estou em harmonia comigo, com todas as pessoas e com todo o Universo – e
tudo o que me acontece é para o meu bem. Mesmo involuntariamente, de
alguma forma, desejando ou não, todos colaboram para que se materializem
todos os meus desejos positivos. Assim, como só quero o bem para mim e
para todos, atraio sempre o melhor. Mesmo que alguém, por qualquer
motivo, tente me prejudicar, acabará agindo a meu favor. Desta forma,
meu equilíbrio está sempre no nível ideal, e todo o Bem que de mim flui,
volta para mim sempre multiplicado."
- Fausto Oliveira
- Fausto Oliveira
sábado, 4 de janeiro de 2014
Falta de educação e velocidade
"Os motoristas
americanos e europeus impressionam
pela educação. Não por serem bonzinhos ou melhores
do que nós, mas porque temem a lei"
pela educação. Não por serem bonzinhos ou melhores
do que nós, mas porque temem a lei"
Os anjos da morte
estão cansados de nos recolher, a nós que nos
matamos ou somos assassinados no tráfego das estradas,
cidades, esquinas deste país. Os anjos da morte estão
exaustos de pegar restos de vidas botadas fora. Os anjos da
morte andam fartos de corpos mutilados e almas atônitas.
Os anjos da morte suspiram por todo esse desperdício.
| Ilustra��o
At�mica Studio |
Não sei se as propagandas que tentam aos poucos aliviar essa tragédia ajudam tanto a preservar vidas quanto as intermináveis, ricas e coloridas propagandas de cerveja ajudam a beber mais e mais e mais, colaborando para uma parte dessa carnificina. Mas sei que estou no limite. Não apenas porque abro jornais, TV e computador e vejo a mortandade em andamento, mas porque tenho observado as coisas em questão. Recentemente, dirigindo numa auto-estrada, percebi um motorista tentando empurrar para o canteiro central um carro que seguia à minha frente na faixa esquerda, na velocidade adequada ao trajeto. Chegava provocadoramente perto, pertinho, pertíssimo, quase batia no outro, que se desviava um pouco lutando para manter-se firme no seu trajeto sem despencar.
Logo adiante, pára
tudo, um acidente grave. O motorista do carro assediado, um
senhor de cabelos brancos, desce, vai até o carro do
imbecil agora parado à sua frente, fala, gesticula, numa
justa ira. Depois volta ao carro, em que a família o
espera. Recomeça o tráfego, perco os dois de vista.
Mas fica em minha memória um motorista boçal tentando
fazer um inocente perder o controle do carro. Era inconseqüente
por natureza, era um agressivo perigoso, ou estaria simplesmente
alcoolizado às 8 da manhã?
Outro dia observei
na televisão um motorista, apanhado a quase 200 por hora,
sendo entrevistado ainda dentro do carro. Fiquei impressionada
com seu sorriso idiota, o arzinho arrogante, o jeito desafiador
com que encarou a câmera num silêncio ofendido,
quando perguntado sobre as razões da sua insanidade.
Todo o seu ar era de quem estava coberto de razão: a
lei e a segurança dos outros e a dele próprio
nada valiam diante da sua onipotência.
Atenção:
os jovens são – em geral, mas não sempre
– mais arrojados, mais imprudentes, têm menos experiência
na direção. Portanto, são mais inclinados
a acidentes, bobos ou fatais, em que a gente mata e morre. Mas
há um número impressionante de adultos –
mais homens do que mulheres, diga-se de passagem, porque talvez
sejam biologicamente mais agressivos – cometendo loucuras
ao dirigir, avançando o sinal, quase empurrando o veículo
da frente com seu pára-choque, não cedendo passagem,
ultrapassando em locais absurdos sem a menor segurança,
bebendo antes de dirigir, enfim, usando o carro como um punhal
hostil ou um falo frustrado.
Cada um se porta como
quer – ou como consegue. Isso vem do caráter inato,
combinado com a educação recebida em casa. Quando
esse comportamento ultrapassa o convívio cotidiano e
pode mutilar pais de família, filhos e filhas amados,
amigos preciosos, ou seja lá quem for, então é
preciso instaurar leis férreas e punições
comparáveis. Que não permitam escapadelas nem
facilitem cometer a infração com branda cobrança.
Que não admitam desculpas e subterfúgios, não
premiem o erro, não pequem por uma criminosa omissão.
Precisamos em quase
tudo de autoridade e respeito, para que haja uma reforma generalizada,
passando da desordem e do caos a algum tipo de segurança
e bem-estar. Os motoristas americanos e europeus impressionam
pela educação. Não por serem bonzinhos
ou melhores do que nós, mas porque temem a lei, a punição,
a cassação da carteira, a prisão, por coisas
que aqui entre nós são consideradas apenas "normais",
meros detalhes, "todo mundo faz assim".
Autoridade justa,
mas muito rigorosa, é o que talvez nos deixe mais lúcidos
e mais bem-educados: em casa, na escola, na rua, na estrada,
no bar, no clube, dentro do nosso carro. E os fatigados anjos
da morte poderão, se não entrar em férias,
ao menos relaxar um pouco.
- Lya Luft é escritora
Fonte: Revista VEJA - Ponto de Vista
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Sobre Julião Resende
Ele sempre quis entender a vida de uma maneira torta. Talvez por medo de que tudo desse certo. Muitas pessoas estão acostumadas aos confrontos emocionais, verbais ou quaisquer outros – a paz não faz parte de seu vocabulário. E isso acontecia com Julião Resende. Os amores de suas vidas nunca lhe foram suficientes, os amigos sempre deixavam a desejar, os pais eram maus e nunca lhe trataram como esperava. Julião nunca estava satisfeito. Na verdade, se tudo estivesse bem ainda estava ruim, pois faltava sinceridade por parte de quem lhe oferecia algo. O medo de ser realmente amado atrasava sua vida, mas não se dava conta disso. Todas as companhias eram melhores que a sua, as experiências dos outros eram sempre as melhores, mas tentava diminuí-las com o seu competente sarcasmo. Um erro! Julião deixou de viver grandes histórias, de estar com pessoas maravilhosas. Menti na última sentença, ele tinha ao seu redor pessoas inenarráveis, mas não conseguia extrair delas o melhor que podiam ofertar. Está se perguntando por quê? Ele as criticava e não as dava o devido crédito. Por isso, vivia reclamando da vida, dos amores, dos amigos e familiares. Nada lhe era completo e bom. Acredito que tenha sido por isso que adquiriu aquela enxaqueca insuportável e gastrite desconfortante. Suas dores eram exageradas, talvez um reflexo de como via a vida. Uma pena! Não se pode negar que tinha um bom coração, mas não sabia transparecer seus bons sentimentos. Seus amigos sempre mediam as palavras para não magoá-lo. Estavam presos ao incomodo do aborrecimento (in)voluntário de tal cidadão. Evitavam até o elogio, que podia soar falso. Mas ainda assim, Julião os acusava de frieza e falta de sinceridade no relacionamento, apenas ele amava de verdade. Zinho, como o chamavam desde bem jovem (uma forma simplificada de Juliãozinho), não podia ficar sozinho. Não podia nem sequer um minuto refletir em sua vida que caia numa depressão profunda. Todos tinham que estar a sua disposição. Era de um ciúme ridículo. Reconhecia todos os seus defeitos, mas não tentava mudar. Afinal, as pessoas precisavam aceitá-lo como ele era. Egoísmo, talvez tenha pensado, ‘mas prefiro não comentar’, como diria a saudosa Copélia, que viaja eternamente pelo Espaço Sideral. A verdade é que cada um interpreta uma ação a sua maneira. Muitas vezes não vale a pena ficar justificando o que a pessoa não quer entender. Aliás, Zinho precisava aprender isso. Cobrava de forma a sufocar quem estava a sua volta, tinha que ser o número um sempre. Zinho tinha problemas, era visível. Algo que ainda não estava resolvido dentro dele e não sabia lidar com isso, ou como resolver a questão. Era um segredo que todos fingiam não saber. Ficou um velho ranzinza. E só foi entender, saber de verdade, que os que estavam ao seu lado realmente o admiravam, apesar de tudo, quando uma enfermeira desconhecida em seu leito de morte comentou com outra profissional de saúde que o paciente daquele quarto – que era Julião – devia no passado ter sido uma pessoa muito importante e boa, devido a quantidade de visitas que recebeu no hospital, mas aquelas visitas não eram suficientes para Zinho. Aquele comentário pesou, ele instantaneamente pôs o pé na realidade e percebeu que poderia ter sido diferente. Já era tarde. Mas morreu feliz por ver que cativou a muitos, apesar de não ter dado tempo de exteriorizar tal sentimento humildemente.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
A lua no cinema
- Paulo Leminski
A lua foi ao cinema,passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.
Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!
Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.
A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
“A
cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está
no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta
que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a
felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”
―Carlos Drummond de Andrade
Assinar:
Postagens (Atom)